Eleições Presidenciais de 1989
Eleições Presidenciais de 1989
Fragmentação Partidária e o Cenário do 1º Turno no Paraná
O pleito de 1989 marcou o retorno das eleições diretas para a presidência da República após um hiato de vinte e nove anos, ocorrendo em um contexto de crise econômica e inflacionária. A disputa caracterizou-se pela fragmentação partidária, com vinte e duas candidaturas. No estado do Paraná, Fernando Collor de Mello (PRN) obteve a maioria dos votos, beneficiando-se da crise interna de legendas tradicionais como o PMDB e o PFL, cujas dissidências regionais migraram para sua base de apoio. A vitória de Collor capilarizou-se pela maior parte do território estadual, especialmente nas regiões Norte e Noroeste.
Em contrapartida, o desempenho das demais candidaturas revelou especificidades regionais. Leonel Brizola (PDT) consolidou-se como a segunda força no estado, com votação concentrada nas mesorregiões Oeste e Sudoeste, fruto de alianças locais preexistentes. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentou desempenho discreto nesta etapa, ficando atrás de Guilherme Afif Domingos (PL) e obtendo votação pouco expressiva na maioria dos municípios, o que refletia a incipiente consolidação partidária do PT no estado naquele momento.
O mapa evidencia a hegemonia de Fernando Collor (PRN) no estado, vencendo na maioria dos municípios, incluindo a Região Metropolitana de Curitiba, Londrina, Maringá e Foz do Iguaçu. Nota-se a vitória isolada de Lula (PT) em São João do Triunfo e a presença de Brizola (PDT) como segunda força.
A espacialização demonstra a capilaridade de Collor, com vitórias expressivas em municípios de pequeno e médio porte, dominando as mesorregiões Norte Central, Oeste, Sudoeste e Centro-Sul, além da capital e região metropolitana.
Terceiro mais votado no estado, o candidato obteve desempenho relevante na Região Metropolitana de Curitiba e no Centro Oriental, com destaque para a vitória no município de Ponta Grossa, superando Collor.
Destaca-se a concentração de votos na metade sul do estado, especialmente nas mesorregiões Oeste e Sudoeste (com vitórias em Cascavel e Pato Branco), refletindo alianças regionais e a força do trabalhismo nestas áreas.
A distribuição dos votos do tucano privilegia centros urbanos e a região Norte Central e Metropolitana, destacando-se a segunda colocação obtida na capital, Curitiba.
O mapa revela o baixo desempenho inicial do petista no Paraná, com concentrações de votos restritas às mesorregiões Centro Oriental, Sudeste, Oeste e Sudoeste, sem votação expressiva nos grandes centros urbanos neste turno.
Apesar do baixo desempenho estadual, o mapa aponta uma concentração específica de votos na região de Maringá (onde foi o segundo colocado) e municípios vizinhos, resquício de sua influência política pretérita.
O mapa ilustra a votação inexpressiva do senador paranaense, com uma leve concentração regional na porção Centro-Sul do estado.
o Mapa demonstra a dispersão e baixa densidade eleitoral do candidato do PMDB, com pontuais concentrações nas mesorregiões Norte Central, Sudoeste e na Região Metropolitana de Curitiba.
A soma dos candidatos menores apresenta maior volume nas regiões Centro Oriental, Centro-Sul, Sudeste e Metropolitana, com destaque para volumes de votos em Paranaguá e Ponta Grossa.
Observa-se que as maiores taxas de votos em branco concentraram-se na Mesorregião Metropolitana de Curitiba, especificamente nas microrregiões de Cerro Azul e da capital.
O mapa indica maiores índices de nulidade nas porções Norte Central, Oriental e Centro-Sul. Nota-se que na microrregião de Guarapuava, a taxa de votos nulos superou a de votos brancos.
Mapa elaborado por GEPES - Unicentro e ObPPP- UEL, 2021. Ele reflete a densidade demográfica do período, evidenciando a concentração do maior volume de eleitores na Região Metropolitana de Curitiba e na mesorregião Norte Central (eixo Londrina-Maringá). Destacam-se também, como colégios eleitorais estratégicos, os polos regionais de Ponta Grossa, Cascavel e Foz do Iguaçu.
Mapa elaborado por GEPES - Unicentro e ObPPP- UEL, 2021. A espacialização do comparecimento às urnas demonstra que a distribuição dos votos efetivos acompanhou a densidade do eleitorado, confirmando a alta taxa de participação no estado.
A segunda etapa do pleito configurou-se pela polarização entre os projetos representados por Fernando Collor (PRN) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No Paraná, o resultado confirmou a predominância de Collor, que alcançou 67,29% dos votos válidos. A distribuição espacial dos votos indica que o candidato do PRN manteve e ampliou suas bases eleitorais do primeiro turno, registrando percentuais elevados nas mesorregiões Noroeste, Norte Pioneiro e Centro-Sul, além de vencer nos principais colégios eleitorais urbanos, como Curitiba, Londrina e Maringá.
O candidato Luiz Inácio Lula da Silva, embora derrotado no estado com 32,71% dos votos, registrou crescimento significativo em relação à etapa anterior. A análise geográfica demonstra uma correlação direta entre o crescimento de Lula e as áreas de influência de Leonel Brizola no primeiro turno. A transferência de votos concentrou-se nas mesorregiões Oeste e Sudoeste, onde o PT obteve seus melhores índices estaduais, evidenciando que a migração do eleitorado pedetista foi o principal vetor de expansão da candidatura petista nessas localidades.
O mapa do candidato vencedor revela um domínio absoluto de Fernando Collor (PRN) na geografia paranaense. Apoiado por dissidências do PMDB e pela grande mídia, ele venceu de forma arrasadora no Noroeste, Norte Pioneiro e Centro-Sul, chegando a 90% dos votos em alguns municípios. Collor também garantiu a vitória nos maiores colégios eleitorais, como Curitiba (51,97%), Londrina e Maringá.
espacialização dos votos de Fernando Collor (Figura 14) evidencia uma elevada concentração percentual nas mesorregiões Noroeste, Norte Pioneiro e Centro-Sul, onde o candidato alcançou índices próximos a 90% dos votos válidos. Nos principais colégios eleitorais do interior, como Londrina, Maringá e Ponta Grossa, a média situou-se em torno de 60%. Em contrapartida, na capital Curitiba, o percentual registrado foi de 51,97%.
A espacialização dos votos de Lula (PT) demonstra uma concentração clara nas regiões Oeste e Sudoeste. O mapa confirma a transferência de votos de Leonel Brizola (forte nessas áreas no 1º turno) para o candidato petista. Essa aliança permitiu a Lula um crescimento expressivo em cidades como Cascavel e um empate técnico em Foz do Iguaçu.
https://www.tre-pr.jus.br/eleicoes/resultados/resultados-de-eleicoes-gerais-tre-pr