Eleições Presidenciais de 1994
Eleições Presidenciais de 1994
Hegemonia e Contrastes Regionais: O Cenário Eleitoral de 1994 no Paraná
As eleições presidenciais de 1994 no Paraná refletiram diretamente a conjuntura nacional marcada pelo sucesso do Plano Real e pela forte influência midiática na construção das imagens dos candidatos. Fernando Henrique Cardoso (PSDB) capitalizou a estabilidade econômica e o apoio dos setores conservadores e do agronegócio, consolidando uma vitória hegemônica em 355 dos 377 municípios do estado. Esse cenário foi reforçado por uma cobertura midiática que associava FHC à modernidade e à ordem, enquanto desconstruía a imagem de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), limitando o alcance de seu discurso social perante a promessa de controle inflacionário.
Apesar da predominância tucana, a geografia do voto revelou particularidades regionais importantes que desafiaram a homogeneidade do resultado. A Região Sudoeste despontou como um enclave de resistência petista, onde a presença de movimentos sociais e a herança cultural e política brizolista garantiram vitórias pontuais a Lula. Simultaneamente, os grandes centros urbanos manifestaram o descontentamento de parte do eleitorado através do voto de protesto em Enéas Carneiro (PRONA) e de altas taxas de votos brancos e nulos, evidenciando que, mesmo diante da euforia da estabilização econômica, existiam nuances de descrédito institucional e alienação eleitoral.
Eleições presidenciais de 1994 - candidatos vencedores, por município, estado do Paraná
O mapa dos vencedores revela a hegemonia de FHC (PSDB), que venceu em 355 dos 377 municípios, impulsionado pelo Plano Real e apoio do agronegócio e mídia. Lula (PT) venceu em apenas 22 cidades, concentradas majoritariamente na Região Sudoeste (19 municípios), além de pontos isolados no Oeste e Sudeste.
Enéas Carneiro (PRONA), candidato da direita conservadora, conquistou o terceiro lugar no Paraná com 256.071 votos. Obteve votação expressiva nos maiores centros urbanos e em cidades com melhores níveis de alfabetização e renda, como Curitiba (53.179 votos), Londrina (13.355), Maringá, Ponta Grossa e Toledo.
Esperidião Amin (PPR) alcançou o quarto lugar no estado com 4,25% dos votos. Sua performance foi mais significativa na Região Sul do país, refletindo-se no Paraná através da concentração de votos nas áreas limítrofes com Santa Catarina, especificamente nas regiões Sudoeste, Centro-Sul e na Região Metropolitana de Curitiba.
Fernando Henrique Cardoso (PSDB) registrou altos percentuais nas regiões limítrofes a São Paulo, destacando-se nas mesorregiões Noroeste (Paranavaí, Umuarama), Norte-Central (Astorga, Rolândia) e Norte Pioneiro (Andirá, Assaí). Esse resultado deve-se à influência do histórico regional ligado ao agronegócio e ao perfil conservador dessas áreas.
Leonel Brizola (PDT) obteve apenas 2,78% dos votos no Paraná (109 mil), ficando em quinto lugar. Apesar da vitória de Jaime Lerner (PDT) para o governo estadual, houve uma "dobradinha" de votos Lerner/FHC, esvaziando a candidatura presidencial do PDT. Os maiores percentuais de Brizola concentraram-se nas regiões Oeste e Sudoeste, em municípios como Itaipulândia e Ampére, áreas com influência histórica do trabalhismo gaúcho.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve seu melhor desempenho na Região Sudoeste, alcançando entre 37,7% e 56,1% dos votos em municípios como Barracão e Planalto. A votação expressiva nessas áreas, bem como nas regiões Oeste e Centro-Sul, correlaciona-se à presença de assentamentos rurais e forte atuação de movimentos sociais.
Orestes Quércia (PMDB) obteve apenas 1,24% dos votos estaduais, prejudicado por denúncias de corrupção e acusações de barganhas. Contudo, registrou percentuais acima da média (entre 8,4% e 15,3%) em municípios específicos das regiões Sudoeste, como São João, e Oeste, como Santa Lúcia.
Os votos brancos somaram percentual expressivo (cerca de 9,7%), indicando desinteresse ou falta de opção percebida pelo eleitorado. A análise espacial sugere correlação com o nível de escolarização, conforme apontado por pesquisadores da época.
Foram registrados 335.755 votos nulos no estado. A distribuição espacial mostra certa homogeneidade, porém com uma distinção importante: a Região Sudoeste, reduto de vitória de Lula (PT), apresentou os menores índices de nulidade, variando entre 2,7% e 5,3%. Estudos indicam que fatores socioeconômicos, como o IDH e níveis de escolaridade, influenciaram essas taxas, que também refletem, em parte, o descrédito nas instituições.
Com o 6º maior colégio eleitoral do país, o eleitorado paranaense concentrava-se nos grandes centros urbanos como Curitiba, Londrina e Maringá. Entretanto, o porte populacional não foi determinante para o resultado final, dada a vitória capilarizada de FHC em quase todo o território. O mapa evidencia a densidade demográfica, onde Enéas obteve boa performance (6,5% dos votos válidos), enquanto Lula teve desempenho abaixo de sua média nacional.
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