Eleições Presidenciais de 1950
Eleições Presidenciais de 1950
Hegemonia Varguista e Dinâmicas Regionais no Paraná de 1950
A eleição presidencial de 1950 no Paraná refletiu a hegemonia de Getúlio Vargas (PTB), que obteve 61,6% dos votos no estado, um percentual superior à sua média nacional. Esse resultado foi favorecido pela aliança estratégica entre PTB e PSP e pelo apoio de lideranças locais, como Bento Munhoz da Rocha. A maior parte do eleitorado concentrava-se na Frente Tradicional, região historicamente consolidada que abrigava a capital e os principais colégios eleitorais, garantindo ampla vantagem a Vargas sobre seus adversários, Cristiano Machado (PSD) e Eduardo Gomes (UDN).
A cartografia do pleito evidencia, contudo, distinções regionais decorrentes do processo de ocupação do território. Enquanto a Frente Tradicional e o Sudoeste ofereceram vitórias maciças ao candidato do PTB, a Frente Norte apresentou um cenário mais competitivo. Nessa região, impulsionada pela recente expansão cafeeira e pelo crescimento demográfico de polos como Londrina, os candidatos da oposição alcançaram seus melhores índices, embora insuficientes para reverter o resultado estadual favorável ao retorno de Vargas.
Mapa elaborado por GEPES - Unicentro e ObPPP- UEL, 2021 . As eleições de 1950 ilustra uma profunda reconfiguração política no Brasil e no Paraná estado, evidenciando a vitória abrangente de Getúlio Vargas (e, no pleito estadual, de Bento Munhoz da Rocha Neto), sustentada por uma inédita e ampla coalizão partidária (a "Aliança" entre UDN, PTB, PR e PL) forjada para derrotar a hegemonia do PSD. A espacialização dos votos demonstra que essa união de forças dominou a quase totalidade do território paranaense, colorindo o mapa de forma homogênea em oposição aos isolados redutos pessedistas, ao mesmo tempo em que reflete o deslocamento do eixo demográfico e político para o Norte Novo e Novíssimo, onde a expansão da fronteira agrícola do café consolidava novos e decisivos colégios eleitorais.
A espacialização dos votos de Vargas mostra índices superiores a 60% nos maiores colégios eleitorais, Curitiba e Ponta Grossa. O candidato obteve votações acima de 70% em municípios da Frente Tradicional como Tibagi, Palmeira, Sengés e Paranaguá. Seus resultados mais baixos ocorreram no Norte Pioneiro (Norte Velho), onde em alguns locais recebeu cerca de um quarto dos votos, indicando maior competitividade eleitoral nessa área.
O candidato da UDN apresentou distribuição de votos semelhante à de Cristiano Machado, com melhores resultados no Norte Pioneiro (exemplos: Londrina, Cambará) e em pontos isolados da Frente Tradicional (Prudentópolis, Castro, Araucária). De modo geral, nas frentes Norte e Sudoeste, seu teto de votação foi de 14,6% na maioria dos municípios. Venceu apenas em Jundiaí do Sul e Wenceslau Braz.
O candidato do PSD, segundo colocado no estado, teve seu desempenho mais expressivo na Frente Norte (Norte Pioneiro). Em municípios dessa região, seus votos superaram 37,5%, passando de 50% em alguns casos. Nas frentes Tradicional e Sudoeste, seus percentuais ficaram majoritariamente abaixo de 21,3%, exceto em municípios pontuais como Guaratuba, Cerro Azul e Clevelândia.
Os votos nulos apresentaram patamares baixos, similares aos brancos, sem superar 6% nos municípios. A distribuição espacial é heterogênea, sendo os votos nulos praticamente inexistentes na Frente Tradicional. O texto conclui que a soma de brancos e nulos não representou uma negação eleitoral significativa aos candidatos.
O mapa indica que os votos em branco não ultrapassaram 6% em nenhum município do estado. A Frente Norte apresentou os maiores indicadores desse tipo de voto quando comparada às demais frentes de ocupação. O texto avalia esses índices como modestos.
Em 1950, o Paraná apresentava uma marcante desigualdade demográfica e eleitoral. A Frente Tradicional (que abrangia o Litoral e os Campos Gerais), com sua ocupação estabelecida desde o século XVII, detinha a hegemonia do eleitorado, concentrando mais de 60% do total. Em contraste, a Frente Norte, cuja expansão foi mais recente e impulsionada pela cultura cafeeira, representava cerca de 40% do eleitorado. A Frente Sudoeste, por sua vez, ainda era incipiente, com apenas 3,5%.
Os dados mostram que Getúlio Vargas (PTB) venceu nas três frentes, mas com percentuais distintos. Na Frente Tradicional e na Sudoeste, obteve 66,1% e 62,0% dos votos, respectivamente. Na Frente Norte, o desempenho foi inferior a 60%, região onde Cristiano Machado (PSD) alcançou seu melhor resultado estadual (23,3%). A Frente Tradicional foi a região que garantiu a maior vantagem percentual e absoluta ao vencedor.
O mapa detalha o volume de votantes. Na Frente Tradicional, Curitiba e Ponta Grossa foram os únicos municípios a ultrapassar 10 mil votantes. Na Frente Norte, a maioria dos municípios não superava 5 mil votantes, com exceção de quatro polos regionais: Mandaguari, Apucarana, Londrina e Cornélio Procópio. Na Frente Sudoeste, apenas Clevelândia superou a marca de 5 mil eleitores.
Segundo o Censo de 1950, apenas dez municípios do estado possuíam mais de 50 mil habitantes. Três localizavam-se na Frente Tradicional: Curitiba (180.575), Guarapuava (67.436) e Ponta Grossa (53.578). Curitiba era o único município com mais de 50 mil eleitores. O mapa demonstra a pulverização do eleitorado em municípios menores fora desses centros. Em contrapartida, na região Norte, Londrina figura como um polo de atração e expansão demográfica, contexto associado à atuação de companhias colonizadoras e ao desenvolvimento da região.
Fonte: Hemeroteca da Biblioteca Nacional, Jornal O Dia Edição B 08511
Fonte: Hemeroteca da Biblioteca Nacional, Diário da Tarde, edição 17134
https://www.tre-pr.jus.br/eleicoes/resultados/resultados-de-eleicoes-gerais-tre-pr