Eleições Presidenciais de 1945
Eleições Presidenciais de 1945
Dinâmica Territorial e Política nas Eleições de 1945 no Paraná
O cenário eleitoral de 1945 no Paraná estruturou-se sob a dualidade territorial entre o "Paraná Tradicional", que concentrava 68% do eleitorado e a infraestrutura política consolidada, e o "Norte Cafeeiro", região de fronteira agrícola em processo de adensamento demográfico. A composição do corpo de votantes, ampliado pelo mecanismo do alistamento ex-officio, refletiu essa distribuição espacial desigual, mantendo, contudo, as restrições de participação aos analfabetos e a facultatividade do voto feminino para aquelas sem renda própria, elementos que caracterizaram o perfil do eleitorado na transição democrática pós-Estado Novo.
Os resultados do pleito evidenciaram a hegemonia de Eurico Gaspar Dutra (PSD) em ambas as frentes de ocupação, com vitórias registradas na quase totalidade dos municípios paranaenses. A capilaridade do PSD, sustentada pela articulação da máquina administrativa estadual e pelo apoio político de Getúlio Vargas, superou a mobilização da oposição representada pela União Democrática Nacional (UDN); o candidato Eduardo Gomes, apesar da formação da "Frente Única do Paraná", restringiu seu êxito a redutos eleitorais de baixa densidade, como Araucária e Wenceslau Brás, não logrando êxito nos principais centros políticos do estado.
No que tange à configuração geográfica do estado, destaca-se a particularidade da região sudoeste, correspondente ao Território do Iguaçu. Criada por Getúlio Vargas em 1943, essa unidade administrativa funcionava como um território nacional autônomo e, portanto, não estava subordinada à Justiça Eleitoral do estado do Paraná. Essa distinção administrativa justifica a ausência de dados eleitorais municipais dessa porção territorial na cartografia e na contabilização dos votos estaduais do pleito de 1945.
O mapa detalha a distribuição espacial dos votos na eleição de 1945, diferenciando os municípios onde o General Eurico Gaspar Dutra saiu vitorioso daqueles conquistados por Eduardo Gomes. A visualização destaca a expressiva votação de Dutra e a ampla influência do PSD, que prevaleceu na grande maioria das localidades. Isso contrasta com os redutos mais limitados da UDN. A área em branco no mapa corresponde ao antigo Território Federal do Iguaçu.
A espacialização da intensidade de votos de Eurico Gaspar Dutra revela índices de aprovação próximos a 90% em municípios como São José dos Pinhais, Clevelândia, Apucarana e Irati. Na capital, Curitiba, embora a disputa tenha sido mais acirrada, o candidato do PSD ultrapassou a marca de 50% dos votos válidos.
O desempenho de Eduardo Gomes limitou-se a índices relevantes em pontos isolados do território. O candidato da UDN obteve entre 51% e 59% dos votos em Araucária e Wenceslau Brás, e aproximadamente 42% no município de Tibagi.
O mapa apresenta a segmentação do estado em duas macroregiões: o Paraná Tradicional (abrangendo Curitiba, Ponta Grossa e Paranaguá) e a Região Norte Cafeeira (destacando-se Londrina, Apucarana e Cornélio Procópio). A subdivisão reflete o contexto histórico de ocupação e colonização, marcado pela exploração madeireira e cafeeira. Os dados indicam que o processo ocupacional, originário da região de Curitiba em direção ao norte, resultou na concentração da maior parte do corpo de votantes no Paraná Tradicional, que detinha 68% do eleitorado estadual naquele pleito. A região sudoeste não estava subordinada à Justiça Eleitoral paranaense por constituir, à época, o Território do Iguaçu.
Fonte: Hemeroteca da Biblioteca Nacional_ jornal O Dia edição 6931
Fonte: Hemeroteca da Biblioteca Nacional_Diário do Paraná _edição 40
Dados brutos: https://www.tre-pr.jus.br/eleicoes/resultados/resultados-de-eleicoes-gerais-tre-pr