Eleições de 1950: A Consolidação da Polarização Política no Paraná
A eleição para governador do Paraná em 1950 marcou a consolidação da política estadual sob a égide da redemocratização e da Guerra Fria. O pleito polarizou-se entre Bento Munhoz da Rocha Neto, da coligação "Frente Democrática" (UDN, PR, PST, PRP, PL), e Ângelo Ferrario Lopes (PSD), apoiado pela máquina do então governador Moysés Lupion. A grande singularidade foi a "aliança informal" da UDN com o PTB no estado, antagonistas em nível nacional, garantindo a Bento a neutralidade estratégica de Getúlio Vargas.
Com um eleitorado majoritariamente rural, Bento Munhoz obteve vitória expressiva, conquistando 172.638 votos (62,87%) e vencendo em 62 municípios, dominando o "Paraná Tradicional" e avançando sobre o Norte. Ângelo Lopes venceu em apenas dez localidades (29,02%), enquanto o socialista Carlos Osório teve votação inexpressiva (0,08%). A análise espacial revelou altas taxas de votos brancos e nulos nas frentes de expansão e fronteira. O resultado definiu a dicotomia política (grupo de Lupion versus grupo de Munhoz) que regeria o Paraná até 1960.
A análise por frentes de ocupação confirma a vitória de Bento Munhoz da Rocha Neto no Paraná Tradicional, Norte e Sudoeste, superando 60% dos votos na primeira região. O Sudoeste apresentou o melhor desempenho relativo de Ângelo Lopes e concentrou os maiores índices regionais de votos brancos e nulos.
O mapa exibe a distribuição dos vencedores, com Bento Munhoz da Rocha Neto vitorioso em 62 municípios (62,87% dos votos) e Ângelo Ferrario Lopes em dez (29,02%). Nota-se a ausência de representação de oito municípios (Rebouças, Rio Azul, Sertanópolis, Ibiporã, Bela Vista do Paraíso, Assaí, Uraí e Jataizinho), equivalentes a 6,22% do eleitorado, devido à disponibilização dos dados nas fontes primárias apenas de forma agregada por Zona Eleitoral ou incompleta.
A espacialização indica a predominância de Bento Munhoz da Rocha Neto no Paraná Tradicional, com índices superiores a 75% no alto curso do rio Iguaçu. O candidato venceu em Curitiba e inverteu o resultado de 1947 ao liderar em polos do norte, como Londrina e Porecatu. Os menores percentuais de votação ocorreram nos municípios litorâneos de Guaratuba e Guaraqueçaba.
Ângelo Ferrario Lopes registrou votação superior a 60% em municípios isolados como Guaratuba, Cerro Azul e Siqueira Campos. Regionalmente, apresentou desempenho inferior no Alto Rio Iguaçu e noroeste. Apesar da derrota geral, manteve índices relevantes no norte cafeeiro, área de influência política de Moysés Lupion.
A cartografia demonstra concentração de votos em branco na região Norte e em Foz do Iguaçu, com taxas superiores a 6%. O município de Santa Mariana apresentou o maior índice (14,42%), seguido por Arapongas. A distribuição espacial aponta maiores percentuais nas áreas de expansão agrícola em comparação ao restante do estado.
Os votos nulos incidiram majoritariamente na porção centro-norte e no extremo oeste paranaense. Municípios como Foz do Iguaçu e Cambé registraram taxas acima de 11%. O padrão geográfico indica que as maiores concentrações de nulidade ocorreram nas zonas de colonização mais recente e de fronteira.
Fonte: Hemeroteca da Biblioteca Nacional
Fonte: Hemeroteca da Biblioteca Nacional, Jornal O Dia Edição 08512
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